Empresas projetam lucros menores

Em meio à tensão global, grades companhias como Apple, Microsoft, AB InBev, United Airlines, IAG, Mastercard, Toyota, Danone e Diageo passaram a alertar seus acionistas que o surto afetará seus resultados.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), por exemplo, estima que o setor de transporte aéreo de passageiros pode sofrer perdas de até US$ 314 bilhões em receita este ano, em meio ao fechamento de fronteiras em vários países e uma vez que pessoas em todo o mundo também têm cancelado viagens.

No Brasil, a Petrobras também já adiantou que o resultado financeiro da companhia no primeiro trimestre deverá ser impactado, principalmente em razão da queda no preço internacional do petróleo, e decidiu reduzir os investimentos previstos para o ano, além de cortar a produção e despesas.

Impacto na economia brasileira

As interrupções na atividade econômica e as incertezas sobre o futuro tem provocado abalos no mercado brasileiro. O dólar superou pela 1 vez na história o patamar de R$ 5,70. Já a Bovespa perdeu o patamar de 70 mil pontos, chegando a acumular queda de mais de 40% em 2020. Só em março, as empresas listadas na bolsa perderam R$ 1,1 trilhão em valor de mercado.

As preocupações em torno dos impactos do coronavírus têm pesado nas revisões para baixo nas projeções para o crescimento da economia brasileira em 2020.

O mercado brasileiro passou a estimar retração de 4,11% do PIB em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, e diversos bancos e consultorias avaliam que o país corre o risco de enfrentar uma nova recessão.

Já o FMI prevê queda de 5,3% do PIB do Brasil neste ano.

Soja, minério e carne
Do lado da exportação, o principal impacto de curto prazo tem sido nos preços das principais commodities vendidas pelo Brasil. As cotações da soja, do petróleo e do minério de ferro têm recuado diante do temor de uma recessão global.

A soja representa cerca de 30% de tudo o que o Brasil exporta para a China, seguido de petróleo (24%) e minério de ferro (21%).

As exportações do agronegócio brasileiro, no entanto, recuaram apenas 0,4% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

No período, “houve grande demanda por produtos como soja, carne bovina, carne de frango e algodão em bruto”, disse a CNA, com a China puxando os embarques, com compras que somaram 34% do total.

A balança comercial brasileira registrou, no entanto, registrou superávit (exportações menos importações) de US$ 6,135 bilhões no 1º trimestre, o pior resultado para o período em cinco anos. A cifra representa uma queda de 32% frente ao saldo positivo de US$ 9,025 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

As exportações somaram US$ 50,095 bilhões –queda de 3,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em março, houve queda nas vendas de produtos básicos (-0,6%) e de manufaturados (-14,9%), enquanto avançaram as vendas externas de semimanufaturados (+6,1%).