Entenda os impactos da pandemia de coronavírus nas economias global e brasileira

Pandemia paralisa a economia, afeta cadeias globais de suprimentos, fecha fronteiras, derruba bolsas, cancela eventos no mundo todo e coloca países em recessão.

O coronavírus tem provocado abalos nos mercados globais e paralisado atividades econômicas no mundo todo, com impactos nas cadeias globais de suprimentos e no comércio global.
Para vários economistas e observadores, a economia global entrou em recessão e deverá sofrer anos até se recuperar das perdas e impactos da pandemia.

Economia paralisada

Para tentar conter a pandemia do novo coronavírus, boa parte da população mundial foi submetida a medidas de isolamento, incluindo países de todos os continentes.
Na China, embora parte das atividades estejam sendo retomadas, o coronavírus fechou fábricas e deixou regiões inteiras do país isoladas. O PIB chinês caiu 6,8% no 1º trimestre, na primeira contração desde 1992, quando dados trimestrais oficiais do PIB começaram a ser publicados no país.
No Brasil, medidas de restrições de circulação de pessoas começaram com a suspensão de aulas e, gradativamente foram sendo ampliadas, com a determinação também de fechamento do comércio e serviços, e com fábricas sendo obrigadas a interromper a produção ou a dar férias coletivas.
Há simultaneamente um choque de oferta, por meio da quebra de cadeias globais de produção, e de demanda, com todos os consumidores parando de consumir ao redor do mundo, quer seja por queda da renda ou por medo de recessão.
Viagens, negócio e eventos também foram cancelados no mundo todo, incluindo a Olimpíada de Tóquio, que seria realizada entre 24 de julho e 9 de agosto próximos, foi adiada para 2021.

Recessão global

A pandemia de coronavírus vai levar a economia mundial a registrar em 2020 o pior desempenho desde a Grande Depressão de 1929, segundo relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O órgão passou a estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) global deve recuar 3%. neste ano.
Já a Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê que comércio global recuará em até 32% neste ano.
A projeção do FMI é a de que os país mais ricos tenham uma retração na atividade de 6,1%, enquanto a atividade dos países emergentes e das economia em desenvolvimento deve recuar 1%. Para os EUA, a estimativa é de uma retração de 5,9%. Já para a China a previsão é de uma alta de 1,2%, após um crescimento de 6,1% em 2019.
O FMI projeta que 80% dos países vão apresentar recuo da atividade econômica (154 países em 193) em 2020. Tomando como base todos os países da amostra do FMI, em 2009, 47% dos países tiveram retração (91 países em 192), segundo levantamento do Ibre/FGV.

Bolsas derretem pelo mundo

A pandemia tem provocada perdas históricas nas bolsas. Nos EUA, as bolsas registraram o pior trimestre desde 1987. No mundo, estima-se aproximadamente US$ 14 trilhões em valor de mercado perdidos, e até ativos seguros, como o ouro, estão sendo vendidos para compensar as perdas.
Entre as ações mais afetadas estão as de companhias aéreas, empresas do setor de turismo, tecnologia e automóveis, mas com o derretimento dos mercados, todos os setores perderam valor de mercado e passaram a rever as projeções e resultados para o ano.
O temor de uma recessão global tem levado os bancos centrais a reduzirem as taxas de juros e a anunciar medidas bilionárias de estímulo e de socorro. Diversos governos passaram a liberar grandes quantidades de dinheiro para reduzir os impactos da pandemia, mas o sentimento de pânico ainda prevalece nos mercados, uma vez que ainda é difícil mensurar a duração das medidas de restrição e a reabertura das atividades.

Os preços do petróleo, que já estavam em queda em meio a baixa demanda por combustíveis, derreteram após Arábia Saudita e Rússia iniciarem uma guerra de preços por maior participação no mercado de petróleo, que derrubou a cotação da commodity em mais de 60% no ano, levando o preço do barril do tipo Brent para menos de US$ 20.

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